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Histórias - 17/12/2009 - 00:31:04 | Comentarios ( 12 )
Babaco e a Bicicleta de Maroca.
Babaco era o homem melodia desta terra. Pensava, vivia e respirava música.
Por: Anildo Lima, colunista desde 16/11/2009

Babaco era o homem melodia desta terra. Pensava, vivia e respirava música. Profundo conhecedor de teoria musical, vivia alegre, assoviando acordes que davam vida a dobrados em partituras que se perpetuaram. Simples, de uma fidelidade e cumplicidade a sua companheira Maroca e sempre pronto para explicar uma seqüência de acordes aos seus discípulos, Babaco envelheceu e morreu sem perder a alegria – e sabedoria – próprias dos homens diferentes.
Recebeu na pia batismal o nome de Barcelar com o qual não tinha identificação porquanto preferia o popular Babaco, carinhoso e mais apropriado para as “molecagens” criadas nas rodas de amigos. Averso a bens materiais, Babaco ganhou de sua querida Maroca, uma bicicleta, novidade em tempos difíceis, mas de múltiplas utilidades nesta cidade plana, de traçados retos e de muita areia nas vias que ligavam Biela a Ponta de Areia. E lá se ia Babaco, “barbeirando” a sua preciosa bicicleta, comprar peixe na Tarifa – até hoje eu não sei por que não Mercado de Peixes? - ou seguindo o cheiro do café torrado na hora, na Torrefação de Lula. Vez por outra, ia à Ponta de Areia comprar no armazém de Quintino que tinha a fama de vender mais barato e passar o troco a mais, como estratégia para aumentar a clientela.
Branquinho, mirradinho, lá ia Babaco solfejando, garbosamente pilotando o seu bem material mais importante, a bicicleta, presente de Maroca. Babaco, digamos assim, era “fissurado”pela sua preciosa Monark, marca de sua preferência, todavia se alguém, inopinadamente, a chamasse de Caloi de bucha ! ,Babaco fingia um acesso de convulsão e representava uma queda cinematográfica. A representatividade e a encenação faziam parte de seu cotidiano, A sua alegria e jovialidade contagiavam a todos que o cercavam. Maroca, sua fiel companheira, às vezes se irritava quando o assédio a Babaco era demais, porém, ele o maestro, sabiamente harmonizava os acessos – e excessos – reativos de Maroca, sua eterna escudeira.
O acervo musical deixado por Babaco deve estar esquecido em alguma pasta empoeirada por aí. Todos aqueles que conviveram com Babaco, como discípulos ou amigos, são unânimes em afirmar que vários dobrados, marchas e tantas outras partituras estão adormecidos em alguma prateleira, necessitando que os encontrem para constar na História Musical desta terra, ao lado de grandes Maestros como Santa Fé, Silvino, Antonio Bispo, Ricardo, João de Lila, Adilson e outros. O refrão da música de sua autoria ecoa em nosso passado menino: A bicicleta de Babaco é de Maroca, é de Maroca...
 

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31/12/1969
cometarios COMENTE ESTA MATÉRIA | COMENTARIOS ( 12 )
Lia Mara Vieira | Postado em: 07/07/2010 - 10:53:13
Oi, Anildo ..... maravilhoso ler o que vc escreve sobre nossa terra; mas eu cantava essa música diferente: "a bicicleta que Maroca comprou, é de Babaco, é de Babaco ..." ;) gde abraço e sucesso!!!
Godhy Vieira | Postado em: 18/05/2010 - 23:46:30
Amigo Anildo...você só emana alegria com suas crônicas perfeitas!!! Você não imagina(aliás, acho que imagina, sim!)a recordação maravilhosa da minha infância que me causou o ecôo desse refrão! Abraços
Renilton | Postado em: 31/12/1969 - 10:44:14
Que bom prof. Anildo, pois tinha na minha memoria uma vaga lembrança do sr. babaco era realmente uma comedia ambulante rsrsrs. E ai... Fatinha td bem?
weliton | Postado em: 31/12/1969 - 21:03:48
q/ bom grande prof. só o senhor p/ dar esse presente p/ nos q/ estamos longe
maria de fatima rezende gama de almeida fatinha | Postado em: 31/12/1969 - 00:05:25
Meu ex. professor ANILDO LIMA.Como e bom ter alguem que lembre da nossa linda e grandiosa cidade BELMONTE com tanto orgulho.Infelizmente ela esta tao precaria de politicos.Parabens e abraços.
JOALVE VASCONCELOS SANTOS | Postado em: 31/12/1969 - 19:31:55
QUERO PARABENIZÁ-LO PELA MANEIRA COMO VC RETRATA O COTIDIDIANO DE NOSSA CIDADE. FATOS VERDADEIROS COM O TOQUE DE IRONIA E BELEZA. SUAS CRÔNICAS ALÉM DE BEM ESCRITAS NOS FAZ RECORDAR NOSSA INFÂNCIA
Hugo | Postado em: 31/12/1969 - 00:40:36
Bom dia Anildo. Realmente poderia contar a história do Dôdô do antigo chafariz... Ele fazia o TDD, Tatu, o falecido Baia e a galera correr e morrer de rir. Abraços..
Vitorino Figueiredo | Postado em: 31/12/1969 - 20:14:16
Por que somente dois comentarios são mostrados? E os outros? Não podem ser mostrados? Ou então nos mostrem como acessá-los.
Antonio de Felix | Postado em: 31/12/1969 - 20:37:31
BELOS TEXTOS ANILDO, NOS DIAS ATUAIS NADA MELHOR QUE LEMBRAR DOS BONS TEMPOS, APROVEITO PARA DESEJAR AO SINDÓ, JOAQUIM, LENILDES (rua 23 de maio) AOS DEMAIS UM 2010 BEM MELHOR QUE 2009.
Vitorino Figueiredo | Postado em: 31/12/1969 - 18:43:34
Meu caro Anildo, ao ler a mais esta história que nos conta com tanta fidelidade, me leva aos anos 50 início de 60. Barcelar ou Babaco era um clarinetista que tocava na Filarmonica 15 de Setembro?
Cleres Pena | Postado em: 31/12/1969 - 21:57:07
Adoro as colunas do meu eis professor de direito Anildo lima. Gostaria que comentasse aquela de Sr., Dodô do antigo chafariz que fazia a criançada rir de alegria, abraços a todos
Epaminondas Júnior | Postado em: 31/12/1969 - 17:54:46
Prof. Anildo, excelente lembrança do saudoso Babaco. Na minha infância, fui vizinho dele, e sou testemunha de que seu relato é verdadeiro. Um abraço.
 
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